quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Do amor V

O amor é imperfeito, irritadiço, desgastante, enervante, triste, desequilibrado, tem medo, amua, rumina, chora, enerva-se, mente, trai, diz palavrões, grita, magoa: é tão feio, tantas, tantas vezes...

(detesto esta música, detesto-a; sempre detestei)

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Enquanto corro de um lado para o outro tento não me esquecer que

para se ter vida longa é preciso viver devagar.
(Marcus Cícero)
*
Soubesse eu aplicar a teoria à prática...

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Terra.

É um restaurante vegetariano.
A comida é excelente.
O atendimento cinco estrelas.
O ambiente muito confortável, sereno.
E, descobri a semana passada, todas as noites reservam cuidadosamente a comida que sobrou e entregam aos voluntários que vão buscá-la para distribuirem pelos sem-abrigo.
Ora espreitem lá aqui...
*
Não há nada como comer comida saudável, digo eu, que ontem à noite penei à conta do que almocei à pressa e não estava bom :-(
(ah!, e sim, é o único restaurante vegetariano onde o pirata carnívoro gosta de ir; aliás, é ele quem diz e se fossemos hoje ao Terra?)

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Nove anos!

- Hei, minha menina, o que estás a fazer? Sai já do chão!
- Mãe, olha, sou uma estrela!
E és.
A minha estrela pestanuda, charmosa, gozona... tão bonita...
:-)
(não se autoriza a reprodução desta imagem - Setembro/2009 - P. Nações)

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

:-)

Que estás a fazer?, desenhas os teus caminhos na areia? (quem faz escolhas escreve sua própria história, constrói seus próprios caminhos). Contrói sim, os teus caminhos, mas não te esqueças de os misturar com os teus Sonhos; porque os sonhos não determinam o lugar onde vamos chegar, mas produzem a força necessária para tirar-nos do lugar onde estamos.
E procura e cultiva o Amor; não queiras apenas aprender a linguagem da matemática numérica, pois só com a matemática da emoção - que não tem conta exacta e que rompe a regra da lógica -, se aprende a multiplicar, quando se aprende a dividir...
Sabes, minha querida?, só se consegue ganhar quando se aprende a perder e só se recebe quando se aprende a dar.
*
Pedaços meus, com pedaços de Augusto Cury (no livro Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes)
*
*
*
Hoje completas os teus oito anos de vida.
Amanhã começamos a festejar os nove... :-D
*
(não se autoriza a reprodução desta imagem)

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Elmer´s day.

Quando a minha mais nova entrou no infantário, foi a história deste elefante divertido, contada na sala, que nos ajudou a explicar aos coleguinhas dela o que é isto da diferença. Ainda hoje, de vez em quando, ela gosta que eu a leia (com a devida entoação, claro) e adora fazer de Elmer e gritar o BUUUU! :-)



*

Hoje (e amanhã, e depois e depois e sempre) lembrem-se do Principezinho e..., se uma criança se aproximar de vós, se rir, se tiver cabelos de oiro, se não responder quando a interrogardes, adivinhareis bem quem é; sede amáveis então, sim? :-)

(se ainda tiverem paciência, podem dar uma espreitadela nisto)

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Da inteligência no amor.

(ou de como te amo mais pelo que tens dentro de ti do que pelo teu exterior)
(ou, ainda, de como gosto da tua intimidade)
*
Só aparentemente a inteligência retira espontaneidade e calor ao amor; na realidade, «confere-lhe firmeza, consistência frente ao futuro, solidez arquitectónica.
(...)
Graças à inteligência age-se com reflexão. A pessoa detém-se, uma vez produzidas as primeiras sensações emocionais, a pensar se faz sentido projectar-se com essa pessoa para o futuro.
A busca desse sentido implica aprofundar o conhecimento daquela: vai-se captando os traços essenciais da sua personalidade, as suas constantes psicológicas e tudo o que leva dentro. O exterior é aquilo que se aprecia de maneira mais imediata.
Quando se usa a cabeça, este amor torna-se mais pessoal, individualiza-se. Já não é apenas afectivo, é acrescido de uma componente de ponderação que a prazo se vai evidenciar de enorme importância.»
*
Enrique Rojas - Uma teoria da Felicidade

domingo, 29 de Novembro de 2009

Pirata versus fugidia (mais um duelo)...

Em dia de comemoração o pirata, ufano, comprou bilhetes para o grande jogo de ontem e até fez questão de me oferecer um cachecol do Benfas :-D
Acompanhados por mais um leão cheio de vitalidade e um lampião muito discreto, ao qual dei razão cinco minutos depois de me ver mergulhada no oceano de sportinguistas que entravam no estádio
(sim, alguém já bebido começou a lançar bocas e o pirata assumiu o fácies de rufia e respondeu: eu, discreta, segui em frente e tirei o cachecol ao entrar em casa alheia porque, mal de todas as casas, há sempre quem não saiba respeitar quem recebe...),
lá fomos, dois leões e duas águias acompanhar o grande duelo.
Foi a minha estreia; nunca tinha assistido a um jogo de futebol ao vivo e começar logo por ir ao estádio do Sporting revela, parece-me, o respeito que tenho pelos que mais amo (e que, sem que eu saiba explicar porquê, são quase todos verdes...) e dá-me, tenho a certeza, uns créditos bem bons ;-)
Do estádio como espaço físico achei-o opressivo; muito, mesmo. E esta sensação desagradável não tem a ver com quem lá estava ou o que diziam e/ou cantavam e/ou assobiavam. É um estádio construído excessivamente na vertical, o que me causou uma claustrofobia demasiado viva. As cores... bom (risos), são os próprios leões que gozam com as cores, designadamente das cadeiras :-D
Do jogo propriamente dito tenho de esclarecer que os jogadores estavam longe (fomos, ainda por cima, para a bancada sul - superior, vá lá, que na inferior estavam os mais radicais...) mas achei que jogam muito mal para o dinheiro que ganham. Aliás, não estava à espera de ver um jogo, tecnicamente falando, tão mau. O curioso é que, tal como adivinhei, visto na televisão (o resumo) não parece tão mau. Creio que ao vivo nos apercebemos mais do pior e não vislumbramos tão bem o melhor.
Mas, confesso-vos, o que me deixou perplexa foi o ser permitido beber bebidas alcoólicas.
Ah!, e tal, é verdade, mas só em copos de plástico...
Como?, então, em princípio, cada alminha que ali vai não tem dois braços e dois punhos, duas pernas e dois pés, uma cabeça e um corpo? e só isso não é mais do que suficiente para dar e levar pancada?!?
Todos sabemos que, em multidão, os ânimos facilmente descambam para a grosseria e violência… juntar a isto álcool, de facto, espanta-me.
O que nos tem valido é que, feitas as contas, no fim a coisa até corre bem...
(sobretudo para as águias, que continuam à frente, destacadas, e o leãozito, miauuuu... - sorry, não resisti :-p)
O próximo é na Luz!
:-D
(não se autoriza a reprodução desta imagem)

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

É do cansaço, só pode...

Como explicar esta vontade súbita, que mansamente se vem instalando dentro de mim, de fazer, de novo, tricot?

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Slipping Through My Fingers

(porque hoje esta música não me saiu do ouvido: desde que lhe dei um beijo, desejando-lhe um bom dia, até ao momento em que a fui buscar ao colégio e lhe vi o sorriso amplo...)

sábado, 21 de Novembro de 2009

Segue-se um jejum de postagens...

... que faz bem ao corpo e à alma :-)



(das quatro esta é a minha preferida, não sei bem porque razão - talvez por causa da mistura da melodia suave com a aspereza da língua holandesa; talvez porque me veja um bocadinho assim)

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Sou uma Senhora!

Pois és!, de sapatinho de salto, mala com livros, óculos escuros e carteira a tiracolo... :-D

(não se autoriza a reprodução desta imagem)
*
Anda a falar pelos cotovelos e o barulho, toctoctoctoc, que fez hoje com os saltos altos de todos os sapatos e botas que tenho (que andou a experimentar pela sala e pelo corredor) é mais do que suficiente para amanhã ser surpreendida com um pedido de despejo (já não tenho muitas dúvidas...)!
- para não mencionar todas as tropelias com que me brindou este fim de dia: desde a pen na banheira com àgua (yep, a pen anda bem arrumadinha...); até o ralo do lavatório com pedaços de algodão e uma pequena inundação na WC: é o que faz a je andar distraída a estudar ciências com a mais velha.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Concordam?

«A palavra ‘traição’,
tal como ‘fidelidade’,
não entram no léxico do amor.»
(Alice Vieira)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

24 horas fugidias.

O despertador tocou às 7.00 h mas só se levantou às 7.30 h, tanta era a preguiça que sentia.
Em quarenta minutos arranjou-se, tomou e deu o pequeno-almoço às duas filhas, arranjou a mais nova e incentivou a mais velha a despachar-se.
Às 8.25 h deixou a mais velha no colégio e às 8.55 h deixou a mais nova na escola.
Às 9.10 h estava na oficina para levantar o carro finalmente pronto e esperou vinte minutos por quem ia ficar com o carro de substituição que esteve a usar estes 15 dias.
Aflita com o tempo perdido de espera, acelerou e chegou ao trabalho às 10 h.
Desesperou à procura da pen onde estava o que tinha escrito na noite anterior e, sem acreditar no que lhe estava a acontecer, apanhou o metro até casa.
Pen: nickles.
Regressou de boleia com o pirate rapper que lhe perguntou algumas vezes pela mala; voltou a vasculhar a mala que estava em cima da secretária e... bingo: a pen estava dentro da caixa dos óculos.
Olhou para o relógio: 11 h.
Sentou-se, respirou fundo e começou a trabalhar.
Entretanto, pensou perdido por um, perdido por mil e às 14 h foi almoçar com o pirate rapper, como estava combinado.
Voltou ao trabalho às 15 h.
Às 16.30 h foi buscar a mais nova que tinha ido, com os colegas da escola, assistir a uma ópera infantil; como se atrasaram no regresso, e enquanto esperava, foi estando em contacto com a terapeuta (dando-lhe conta do atraso) e com a filha mais velha que, tendo ido à explicação de inglês, teve de regressar a casa porque a explicadora avisou em cima da hora que não podia dar a explicação.
Às 17.45 h entregou a mais nova à terapeuta que a esperava à porta do prédio e foi procurar um lugar para estacionar o carro.
Fez compras e ficou à espera da mais nova que, cansada, começou a fazer birras...
No regresso a casa esteve à procura de um lugar de estacionamento vinte minutos porque há uma festa no edifício público ao lado da casa onde mora.
Andou a pé dois quarteirões com as duas mochilas, a pasta dos papéis, o saco das compras e a mala.
Chegou a casa e olhou para o relógio: 19.30 h.
Pensou que vive a 6 minutos de carro do trabalho, a 10 minutos de carro do colégio da mais velha, a 15 minutos de carro da escola da mais nova, a 5 minutos de carro do consultório da terapeuta, quando não há trânsito. Não esqueceu que o problema não é só o trânsito: é ter de fazer estes percursos todos de uma vez, todos os dias...
Foi preparar as coisas para o jantar e auxiliar a mais velha nos estudos.
Sentou-se um pouco ao computador para ler as notícias nos jornais on-line.
Sabe que daqui a nada são horas do jantar e que por volta das 21.30 h elas irão para a cama.
Sabe ainda que a partir das 22 h deveria trabalhar. Bastante.
Tem a certeza que a partir das 23 h estará cheia de sono, com uma vontade terrível de ir para a cama dormir.
Acabará por o fazer, com a sensação de que o dia foi cansativo demais e produtivo de menos.
Amanhã, pelas 7 h já estará acordada.
*
(sim, há muito mais pessoas com muito menos tempo para muito mais coisas para fazer...)

Hoje, particularmente hoje,

eu já tive de voltar a casa pois,
eu nunca pensei que a pen estava escondida na carteira dos óculos e julguei que me tinha esquecido dela.
Eu sei que ando cansada mas
eu quero fazer tudo...
Ah!, hoje, particularmente hoje,
eu sonho com a hora em que me vou meter na caminha
e dormir :-)

*
Isto aqui em cima é a mistura do que estava a pensar postar (que a manhã tem sido complicada) com a resposta ao desafio que me foi lançado pelo Carlos Barbosa de Oliveira: completar cinco frases.
Mandam as regras indicar dez bloggers para continuar a corrente. Mas eu deixo sempre as correntes assim, mal apertadas, para que quem queira continue e quem queira, fuja!

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Bom dia!

(não se autoriza a reprodução desta imagem)

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Love me do ou De como eu gosto da chuva de Lisboa...

A noiva, ruiva, é (e estava) muito bonita. O noivo tinha um sorriso de orelha a orelha. A nossa mesa (constituída por cotas, menos eu :-p) foi a mais animada de todas, graças a três cavalheiros que, mais uma vez (digo eu, que já os conheço há muito tempo), demonstraram que é possível ser muito divertido sem perder a elegância na forma e no conteúdo do que se diz. As minhas sandalitas foram um sucesso e foi com elas que dancei bem agarradinha a música postada infra, que nos entrava pelos tímpanos dentro num tal volume que não consigo descrever. A sério! A chuva e o vento aguentaram-se bem até à madrugada de domingo. O meu pirata ia tão lindo que não o pude largar um segundo e uma das palavras que mais utilizei este fim-de-semana foi Xôô! O almoço de domingo, a desoras, com o meu irmão e a minha cunhada, e a visita à exposição de um grande amigo de família (que tem a curiosidade de ter o mesmo apelido que nós, mas escrito com um grafismo diferente) foram uma excelente forma de terminar a visita ao Porto. Seríamos capazes de aí viver mas não há nada que se compare à minha rica Lisboa. Então depois de uma viagem de regresso debaixo de um temporal medonho durante cerca de 200 kms...
Isto tudo para vos dizer:
não se queixem desta chuva, ouviram bem?!?!
:-)

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Bom fim-de-semana

Este fds há casamento no Porto e acho que vou ficar encharcada que nem um pinto :-( (já vos disse que a vida não anda para trás nem se demora nos dias passados...?)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Da morte.

É a primeira vez que escrevo sobre isto; já conversei com algumas pessoas sobre este assunto mas nunca consegui ir mais além do que o óbvio e, claro, vou repetir-me.
Nunca soube fazer o luto e, honestamente, há muito que desisti de o fazer: vive-se bem com uma ferida ligeirissimamente cicatrizada que, de quando em vez, sentimos (e não convém mexer muito, sob pena de a crosta se soltar e voltar o sangue e a dor).
Um acidente estúpido na escola levou-nos a minha irmã Sofia, quando eu tinha acabado de fazer 14 anos e ela estava a fazer os 13. Dos oito éramos as mais próximas de idade e toda a minha infância e pré-adolescência foi vivida ao seu lado. Senti sempre que éramos gémeas de espírito apesar de termos personalidades completamente distintas. Contava a minha avó que até durante a noite nos apanhou, sonâmbulas, em conversas que faziam sentido :-)
Há muitas formas de reagir à morte de quem amamos e a minha foi, no próprio dia da morte, ir para a escola, participar activamente em todas as aulas, ir para casa de umas amigas terminar um trabalho de grupo; enfim, seguir a rotina de todos os dias, sem uma lágrima, e com vontade de bater em quem me tentava dar os sentidos pêsames ou me dizia que tinha que ser forte para ajudar os meus pais. São palavras que não me faziam, nem fazem ainda, qualquer sentido e que, sobretudo, não me confortavam. E assim foram todos os dias que se seguiram.
Sei que a maior parte das pessoas não está preparada para esta forma de reagir. Olhavam-me incrédulas, algumas creio que me achavam fria e/ou insensível, outras não sabiam o que dizer ou fazer.
Das dezenas e dezenas (não sei se exagero se disser centenas) de pessoas com quem me cruzei no dia da morte e do funeral dela recordo apenas três que ajudaram a sentir-me minimamente aconchegada: uma fez-me um lanche especial, outra sentou-se ao meu lado no fim do dia a ver fotografias, a terceira deu-me, simples e meigamente, a mão.
*
Hoje um pai e uma mãe que trabalham comigo perderam repentinamente o seu único filho, de vinte e seis anos.
Que todos nós saibamos ampará-los neste momento.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Poeira a assentar.

O percurso casa-escolas-trabalho já se faz em 45 minutos (testei uma série de caminhos ;-) ).
Apesar do automóvel estar na oficina por tempo indeterminado, a marca oferece, porque não sabe quando terá a malfadada peça, carro de substituição em breve.
Finalmente aquela preguiça que tomava conta de mim todos os dias desapareceu e sinto uma energia brutal para dar cabo das toneladas de papéis que me colocam diariamente na secretária.
A mais nova adora a escola nova e quando lhe pergunto se quer ir à antiga diz rapidamente Não, obrigada! (é muito educadinha, a minha filha).
A mais velha esforça-se quando tem de estudar o que não aprecia... e delira com o que gosta, naturalmente.
Ou seja, a poeira está a assentar e nós estamos a começar a navegar em velocidade de cruzeiro :-)
*
E para condizer com este estado de espírito, nada como os meus Inti Illimani num outro registo... delicioso, para um belo serão, não é? :-D
*
*
ADENDA às 21:21 horas:
Dizia eu que tudo estava mais sereno e tal, e velocidade de cruzeiro e poeira a assentar?! Dizia, pois. Mas depois de escrever isso, constatei que a mais nova entornou uma garrafa de água na mochila (agora os meninos andam de garrafas de água nas escolas, por causa da gripe A) e os livros e cadernos ficaram todos ensopados e eu, a dizer mal da minha vida, enquanto auxiliava a mais velha nos estudos, tentei secar os livros da mais nova e por isso tive de arranjar o quadro eléctrico que se foi abaixo com o secador, o forno e o aquecedor eléctrico (que querem, sou friorenta...) todos ligados ao mesmo tempo, e ainda orientei os banhos, terminei de preparar o jantar e tentei reparar o estore da janela da cozinha (sem êxito, que alguém fez o favor de partir uma peça...),
dizia eu,
estava, como compreendem, em tal velocidade atómica de pensamentos e acções quando a mais velha decidiu, precisamente a meio do jantar, contar ao pormenor como foi a visita de estudo deles e...
bom, a mais velha a contar histórias é relato-tipo-mix-de-BD-com-desenho-animado: absolutamente hilariante...
Conclusão, parou-me a digestão de tanto rir, ainda estou mal-disposta e com o estômago dilatado, irritada com os livros ainda ensopados, o estore estragado e...
Velocidade de cruzeiro? Tudo sereno? Puff...
(e também é melhor nem pensar ir ao youtube procurar mais uma música para postar e que revele o estado de espírito em que me encontro: apesar de hiperactiva, com um sorriso de orelha a orelha, a pensar que sou feliz - fiquemos, pois, com os Inti Illimani, a tentar retomar alguma serenidade...)
;-)

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Do nosso cérebro.

Ao rever este vídeo, lembrei-me ainda do caso do autista que consegue scanarizar (será que se escreve assim?) livros: folheia (não lê, olha com alguma rapidez para cada uma) centenas de páginas e depois... reproduz uma por uma!
A memória visual é uma das características mais extraordinárias dos autistas; quem não ouviu já falar daqueles que decoram a lista telefónica ou matrículas de automóveis que passam sem parar pela rua?
A surpresa que senti ao ver documentários sobre estas pessoas rapidamente desapareceu ao lembrar-me da argumentação que o meu pai utilizava quando algum aluno lhe dizia que se sentia menos inteligente.
Qualquer coisa deste género:
«Vários matemáticos demoraram séculos para calcular dezenas de casas decimais do número «pi»; actualmente, os computadores calculam bilhões de casas decimais em horas. Contudo, a complexidade de um computador é muitíssimo menor do que a complexidade de um cérebro de uma… barata. Compreendes agora como o teu cérebro, que é muito mais complexo do que o de uma barata, é uma máquina absolutamente excepcional?!»
*
Pena que a utilizemos tão pouco e tão mal.
Todos.
Que os autistas, tal como nós, apenas desenvolvem e utilizam partes do nosso cérebro que nós desenvolvemos e/ou utilizamos pouco; mas não sabem manejar muito bem (as) outras.
É isso…

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Só pode.

Olho para o relógio, é tarde e enquanto arrumo as coisas na secretária, fecho a porta do gabinete, saio para a rua, caminho apressadamente até casa, faço compras no supermercado ao lado, janto, navego pela net, trabalho mais um pouco, ponho roupa a lavar, estendo a roupa, trabalho ainda mais um pouco, navego de novo e me preparo para ir dormir, decido que só pode ser feitiço.
Não há outra explicação!

domingo, 8 de Novembro de 2009

Filhas

A mais novita, pelas 8 horas da matina, cansada de estar na cama, veio para o meu quarto de almofada, disse Desculpa, abriu os estores das janelas, olhou-me e, com um sorriso amplo, disse Bom dia mãe! (cópia do que lhe faço todos os dias pelas 7 horas e meia...). Sorri ao vê-la entrar na cama e encostar-se a mim. E numa deliciosa preguiça, enroscada nas duas (que a mais velha, ciumenta, veio a correr juntar-se a nós), perguntei-me honestamente como me vejo como mãe.
Sou, creio, uma boa cuidadora (ou tratadora, como costumo dizer a brincar): atenta, preocupada, antecipando, protegendo e por aí fora.
Mas para amar não basta cuidar; temos de nos deixar encantar, apaixonar pelos nossos filhos. Certamente por incapacidade minha nunca soube compreender quem me diz que ama absolutamente os seus filhos desde que os gerou. As minhas foram muito desejadas mas, ainda assim, sei (sempre soube) que o meu amor por elas foi crescendo a pouco e pouco, à medida que, conhecendo-as, me fui apaixonando. É por isso que posso dizer, sem vergonha, que houve um momento - curto, mas houve -, em que saberia escolher uma de entre as duas, se mo exigissem. Porque já amava profundamente a mais velha e ainda estava a aprender a amar a mais nova, acabada de nascer.
Sei que há muitos pais e mães que se centram no filho diferente em detrimento do(s) outro(s), porque o sentem mais frágil. Eu não; talvez porque não acho que a mais nova seja o elo mais fraco na nossa célula familiar; na verdade, acho que somos nós...
Sempre me impressionei com quem diz que trata da mesma maneira os seus filhos. Eu não; trato-as de forma completamente diferente porque entendo que não se pode tratar de igual modo o que não é igual (e isto não tem nada a ver com a diferença da mais nova).
Sei, por experiência própria de filha, que muitos pais e mães têm preferências e, aliás, acho isso perfeitamente compreensível. Eu não tenho; honestamente, não sou capaz de me identificar mais com uma do que com outra.
É verdade que têm personalidades completamente diferentes (apesar de serem ambas muito criativas e imaginativas, cada uma com o seu estilo próprio): a mais velha, que herdou a minha sensibilidade, é doce no trato, sonhadora, um pouco insegura de si (o processo de maior autonomia que tenho implementado depois das férias - como regresso a casa de autocarro, ida às compras, estudar em casa sozinha nas tardes de quarta-feira, em que não tem aulas - tem-se revelado uma excelente decisão e até a mais nova se apercebeu disso: volta e meia diz "A I... já não é uma menina? A I... já é uma senhora?"); a mais nova, que herdou o meu mau feitio, é também muito senhora do seu nariz, independente e perspicaz.
Mas as duas ocupam e dão-me a conhecer pedaços diferentes de mim; complementam-me, ajudam-me a crescer como pessoa. Preferir uma a outra seria, no meu caso, perder a oportunidade de aprender, todos os dias, que há sempre mais do que um caminho dentro de nós para tentarmos ser um pouco melhores hoje do que ontem.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

E depois do Rap, some other "good vibrations"...

Um excelente fim-de-semana para todos... have fun! :-)

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Dos genes.

Como pode uma mãe dura de ouvido,
que não sabe desenhar e
que apenas consegue escrever letras
(no que respeita ao aproveitamento das potencialidades de um computador),
ter uma pré-adolescente
(faço questão de sublinhar o pré, apesar de ela ter menos um cm do que eu - que tenho 1,70 - e calçar um número acima do meu - que calço o 40),
dizia eu,
como pode uma mãe assim ter gerado uma pré-adolescente que é a melhor aluna de EV?
E uma das melhores de informática?
E de música?
E que hoje deu um show de Rap que até o professor ficou embasbacado?
(e eu, quando ela me reproduziu o show, há pouco...)
Yep, são os genes, ainda que por via indirecta: os meus irmãos são todos assim.
E eu sou a ovelha negra da família... buáááá!
:-)

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Do tempo.

Eu ia postar sobre o desespero de ter o automóvel na oficina (não sei por quanto tempo) e de não ter ainda decidido como vou levar as meninas às escolas, amanhã (estou a demorar quase uma hora em trajectos de casa para as escolas e para o trabalho).
Mas depois li isto e lembrei-me de um poema de Michel Quoist (Poemas para Rezar) que o meu pai recitava (e do qual decorei uma frase...).
Deixo-vos este pedaço.

*
(...)
Assim correm todos os homens atrás do tempo, Senhor.
Passam correndo pela Terra
apressados,
atropelados,
sobrecarregados,
enlouquecidos,
assoberbados,
Nunca chegam, falta-lhes tempo,
Apesar de todos os esforços, falta-lhes tempo,
Falta-lhes mesmo muito tempo.

Com certeza, Senhor, erraste os cálculos.
Há um engano geral:
Horas curtas demais,
Dias curtos demais,
Vidas curtas demais.

Tu que estás fora do tempo, Senhor, sorris

ao ver-nos assim brigar com ele,
E sabes o que fazes.
Não te enganas quando distribuis o tempo aos homens,
A cada um dás o tempo de fazer o que queres que faça.

Mas é preciso não perder tempo,
não esbanjar tempo,
não matar o tempo,
Pois o tempo é um presente que nos dás.
Presente perecível,
Um presente que não se conserva.

Tenho tempo, Senhor,
Tenho todo o meu tempo,
Todo o tempo que me dás,
Os anos de minha vida,
Os dias de meus anos,
Os minutos de meus dias,
São todos meus.
Cabe-me preenchê-los tranquilamente,
calmamente,
Mas preenchê-los inteirinhos, até à borda,
Para dá-los a Ti
– e que, da água sem sabor,
faças um vinho generoso
como outrora, em Caná,
fizeste para as bodas humanas.

Nesta noite eu não te peço, Senhor, o tempo de fazer

isto e depois aquilo,
Peço-te a graça de fazer,
conscienciosamente,
no tempo que me dás, o que queres que eu faça.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Só para maiores de... 40 anos!

Este é um blog familiar, que respeita a moral e os bons costumes. Não obstante... não resisto a postar uma brincadeira que me enviaram.
Claro, com a advertência de que só pode ser visto por maiores de... de... 40 anos (risos).
E com o esclarecimento de que a autora deste blog não se responsabiliza por quaisquer indisposições ou pelo conteúdo dos comentários (que, aliás, serão censurados).
Dixit.
*
E agora, espreitem lá isto...
:-D

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Crepúsculo

Nadie nos vió esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caía sobre el mundo...
(Pablo Neruda)
(não se autoriza a reprodução desta imagem)

Síntese do fim-de-semana.

Acordar tarde, aninhada em palavras, sorrisos, gargalhadas.
Adormecer tarde, aninhada em palavras, sorrisos, gargalhadas.
(algures, entre sábado e domingo, passear a pé à beira-mar, comer gelados, almoçar e jantar em família).

domingo, 1 de Novembro de 2009

VIVA!

Até agora tenho-me conformado (mal) com o facto de muitos dos que amo serem do Sporting. Pois bem, resolvi mudar este triste estado de coisas e nem a derrota de ontem me fez vacilar (nem a mim nem a um dos piratas júnior que, nos últimos dias, já se passou para este lado :-D)
A coisa vai lá (e nada como esta música para acelerar as batidas de um coração vermelho)!